9 de julho de 2017

Stop telling me what you eat!!!


Vivemos num mundo obcecado por likes, followers, publicações e afins. Editamos, curamos e mostramos ao mundo uma versão melhorada daquilo que consideramos importante para o nosso feed. Nesta constante concorrência de uns contra os outros sinto que perdemos, ou pelo menos sinto que por vezes perco eu, o meu rumo e a minha própria personalidade.


Sinto que muitas vezes não passamos de meros recetores de informação que na sua maioria requer maturação e alguma pesquisa. Falamos de assuntos e seguimos tendências sem ponderar ou sequer questionar. Tornamos verdades absolutas aquilo que outra pessoa diz ou faz e no final esquecemo-nos de desligar e no fundo pensar.

Verão significa muitas coisas, mas para a maioria das mulheres vem com o acrescento da palavra dieta e restrição. No café só se ouve falar em clean eating, healthy eating, em comer menos e desintoxicar o corpo com líquidos, sem sequer ponderarmos aquilo que acabamos de dizer boca fora. Acredito que exista uma certa superioridade em assuntos relacionados com dieta, como se restringir e parecer ser um bom exemplo de auto-controlo algo que nos orgulhássemos a atingir. No café ouvimos falar de exercício físico sempre num tom de penitência e nunca antes como uma atividade lúdica.

Uma vez mais sinto-me um recetora de informação deturpada e muitas vezes errada e acabo por fazer eu própria, comparações e conclusões sobre a minha vida e as minhas próprias tendências saudáveis. Confesso a minha paixão por comida sempre que posto algo sobre isso no meu Instagram, mas para mim, não se trata de mostrar ao mundo o quão saudável ou não eu sou, mas antes um reforço do meu fascínio por cores e texturas. Talvez esteja eu a criar desculpas a justificar uma vez mais um comportamento que para muitos possa ser insuportável.

Nisto das redes sociais aprendi a desligar e a canalizar a informação. Detesto comentários sobre aquilo que ponho no meu prato da mesma forma que detesto comentários do quão saudável e ativo possas ser. Esta constante validação e comparação traz no seu núcleo um misto de sentimentos que a mim não me influenciam, mas podem vir a influenciar a quem se sinta por alguma razão mais vulnerável. Com uma irmã na puberdade, nunca antes fora fundamental a abolição de palavras como dieta e healthy eating do meu vocabulário, a comida deve ser vista como algo fundamental ao nosso dia a dia, como uma fonte de energia, e não um símbolo de status que só ajudam a fomentar sentimentos de culpa, por isso, digo em tom bem alto, ninguém quer saber o que vocês comem, vão comer ou andam a comer, pois todos nós temos os nossos dias e as nossas próprias batalhas diárias. A comida é apenas comida nada mais, nada menos!




*imagem via pinterest

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