16 de julho de 2017

How to Spot Craving Chocolate!


Numa sociedade obcecada pelas palavras clean eating, suplementos e superfoods comer chocolate tornou-se num ato extremamente pecaminoso e punível com uns quantos olhares de desaprovação, comentários inapropriados e sucessiva perda de followers no Instagram.

Vivemos num constante sentimento de culpa em relação ao que colocamos no interior do nosso corpo, a que horas o colocamos e o mais importante, como o colocamos!! Falamos de pós poderosos, que muitas vezes nada fazem ao nosso sistema, de manteigas, de pólen (!!), glúten e não glúten e no final das contas, esquecemo-nos de simplesmente comer.



Parece haver um sem fim de teorias sobre o que comer, no entanto, quando a conversa recaí sobre o chocolate e o açúcar parece haver um enorme consenso. Todos nós sabemos que o consumo de açúcar deve ser moderado, pois não só parece estar associado ao desenvolvimento de doenças, como ao possível envelhecimento precoce da pele. Mas numa sociedade promotora de dietas e do clean eating, parece não existir um meio termo e o chocolate passa apenas a ser retratado como um qualquer veneno promotor do aumento de peso, sendo a sua abolição absolutamente fundamental.


Claro que há toda uma teoria em torno do chocolate negro e em especial do cacau cru, mas este não só custa balúrdios, como será intragável para muitos devido ao seu sabor um pouco mais amargo. Parece que nós mulheres vivemos em constante penitência, parece que somos indignas de consumir e usufruir do chocolate como algo simples e saboroso sem tecer comentários pejorativos, promessas do amanhã vou-me controlar, ou estar em constante agonia interna devido aos múltiplos sentimentos de culpa associados à ingestão de doces ou bolos! Tratamos a comida como boa ou má, reforçamos comportamentos com comida e passamos a vida em batalhas e promessas fracassadas, tudo porque simplesmente, não nos damos permissão para comer aquilo que nos apetece, quando nos apetece.

Caí também eu, em tempos, nas redes do clean eating e batalhei durante meses as tentações dos doces e eventualmente aprendi que não é restringindo o chocolate da minha alimentação a resposta para o deixar de comer, não é limpar os armários de açúcares, ir ao supermercado de barriga cheia para não cair em tentação, a solução para passar mais uma semana de detox. Aprendi sim, que restringir promove comportamentos compulsivos, estes que depois levam a sentimentos de culpa, promessas falhadas e horas de penitência no ginásio. Este ciclo vicioso no qual vivemos os nossos dias, muitas vezes em segredo, são motivados por falsas expectativas e por uma sociedade promotora de comportamentos exagerados baseados em modelos de beleza, com os quais dificilmente conseguiremos competir ou atingir. A teoria de que com a motivação certa todas nós chegamos lá tem de parar, pois esta utopia física só nos causa ansiedade e comportamentos autodestrutivos.

Em todo este processo mental de cedências, aprendi a gostar do meu corpo tal como ele é, com a celulite que adquiri na minha adolescência e as ancas que herdei da minha mãe. Aprendi a comer chocolate quando quero e a parar quando considero conveniente. Aprendi que gosto efetivamente mais do chocolate negro, pois o meu paladar tornou-se um pouco mais complexo, e se antes comia uma tablete de chocolate de uma enfiada só, hoje sei desgostar com calma e sem culpas ou desculpas.

Experimentar novos sabores e receitas, testar e comer aquilo que desejamos quando o desejamos sem rótulos ou permissões mentais, serão o segredo para deixar de desejar descontroladamente o consumo de chocolates e doces.




"Give yourself permission to eat!"






*imagem via Pinterest


  

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