1 de abril de 2014

So far...


...e passados dois meses desde que me despedi e chorei como um bebé no aeroporto agarrada aqueles que mais gosto, apenas a novidade mantém as saudades longe do pensamento e as vozes e conversas via skype, me mantêm bem perto deles...
Sabem, os dias que precederam esta minha decisão foram dos mais difíceis, mas também os que maior expectativa me davam. Muito tinha para contar e explicar, mas por agora apenas digo-vos que passei demasiados anos a fazer algo que não gostava, e com isso perdi a noção daquilo que realmente gosto de fazer e daquilo que realmente sou. Andei demasiados anos a tentar ser algo que não era e a incutir na minha cabeça a ideia, que aquele era o meu destino e que pouco havia a ser feito, se não levar com ele!! Aceitar o desemprego foi extremamente difícil, tanto quanto me encontrar depois de tanto tempo também o foi, hoje e apesar do meu plano bem traçado, continuo a minha busca por aquele algo que me complete e me faça esquecer um passado com momentos difíceis e seguir em frente...



Sempre me imaginara numa grande cidade, talvez por ter vivido tantos anos numa bem minúscula, ainda assim, e apesar de toda uma nova aventura perante os meus olhos, foi com muita nostalgia que guardei quase tudo o que me caracterizava e é no sótão que aguardam o meu regresso...babosa como sou, impossível não vos dizer que chorei por todas as coisas que me foram tiradas e guardadas, chorei de saudade, de inevitabilidade e até de raiva. Sentia um aperto no coração sempre que olhava para o que considerava como meu e aos poucos me fui despedindo, como se todo aquele eu já não existisse ou até nunca tivesse existido, e nisto pensava em como a vida é incerta, por vezes injusta, mas igualmente maravilhosa e cheia de oportunidades.
Tenho ainda dificuldade em vos descrever o que senti quando o elevador fechou as portas e desceu os cinco andares do prédio em direcção ao carro que me levaria para o aeroporto, a sensação foi tão estranha que a única coisa que conseguia fazer ao longo daquele percurso era um resumo de um capitulo prestes a fechar e chorar quase que descontroladamente ali sozinha...


Hoje aqui bem longe do calor, do sol e do colorido do Funchal, muito há ainda a resolver, organizar e descobrir, ainda assim, aprendi que nove graus são bons, tão bons que nem preciso de usar luvas...aprendi a aguentar as saudades e que pasteis de nata até nem são difíceis de encontrar...a aceitar o facto que o nosso café é fantástico e não há sítio onde saiba sequer semelhante...que nós somos um povo simpático e divertido, apesar de todo o nosso fado...que correr quando caem flocos de neve não é nada agradável, mas relativamente interessante...a aceitar que sol é algo raro, mas quando brilha o melhor a fazer é sair de casa...aproveitar para ver e ver e ver...que não há limites na makeup e no tom de pele...que por vezes é difícil perceber o raio do escocês à primeira...que a vida é bela e pode ser realmente fantástica...que eu sou única e tão merecedora como qual outra ou outro, e que acima de tudo e independentemente de tudo, everything is going to be alright...  



Tenham um óptimo dia.


...


4 comentários:

  1. Estás a viver na cidade mais bonita que já vi e a única que trocava pelo meu Porto. É linda, mas é também acolhedora, cheia de gente simpática, criativa, inspiradora. :) Aproveita!!

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  2. ai porra, pera, estás aonde? acabei de me apaixonar pelas fotos!!!

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  3. (só para avisar que já te respondi no meu último post ;) beijinho)

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